sábado, 7 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de junho de 2008


HAPPING

O happening do inglês, acontecimento, é uma forma de expressão das artes visuais que, de certa forma, apresenta características das artes cénicas. Neste tipo de obra, quase sempre planeada, incorpora-se algum elemento de espontaneidade ou improvisação, que nunca se repete da mesma maneira a cada nova apresentação.

O termo foi inicialmente utilizado pelo pintor Allan Kaprow, em 1958, para se referir à sua própria obra improvisada, e a sua aplicação estendeu-se a outros campos como a música (John Cage), a pop-art (Andy Warhol) e a poesia (Dick Higgins), porém podemos recuar até à Comedia del Arte italiana ou commedia all improviso, para encontrar representações semelhantes na forma e no objectivo.

Não é descabido aproximar este tipo de experiência às improvisações feitas na pintura em estéticas como o surrealismo ou o dadaísmo. Para alguns historiadores, como sinónimo de performance, o happening é diferente porque, além do aspecto de imprevisibilidade, geralmente envolve a participação directa ou indirecta do público espectador.

O termo happening, como categoria artística, foi utilizado pela primeira vez pelo artista Allan Kaprow, em 1959. Como evento artístico, acontecia em ambientes diversos, geralmente fora de museus e galerias, nunca preparados previamente para esse fim.

O músico John Cage foi o responsável pelo Theather Piece ou “o evento”, realizado no Black Mountain College, em 1952, considerado o primeiro happening da história da arte.


ALLAN KAPROW

Nasceu a 23 de Agosto de 1927 e morreu a 5 de Abril de 2006, foi um
pintor estadunidense, assemblagista e um dos pioneiros estabelecimendos conceitos de performance.
Ele estudou composição com John Cage e na famosa classe da New School for Social Research, tendo estudado pintura com Hans Hofmann, e história da arte com Meyer Schapiro.
Ele auxiliou no desenvolvimento de "Ambiente" e de "Happening" nos finais da década de 1950 e da década de 1960, bem como de sua teoria.
Os seus "Happenings", quase 200, ocorreram durante anos.

Gradualmente Kaprow alterou estas práticas para o que ele denominou de "Actividades", trechos de pequena escala para um ou mais performers e objectivando examinar comportamentos e hábitos do dia-a-dia, de uma forma quase indistinta da vida comum. Fluxus, performance, e arte de intalações foram influenciadas por seu trabalho.

O seu trabalho visa integrar arte e vida. Através dos Happenings, a separação entre arte e vida, e artista e audiência se torna difusa. Ele publicou utilmente e foi professor emérito do Departamento de Artes Visuais da Universidade da Califórnia em San Diego, é também conhecido por sua ideia de "a-arte", encontrada em seus ensaios.

A sua influência é também evidente no Instituto de Artes da Califórnia, em que ele leccionou durante os anos da sua formação.

ALGUMAS OBRAS DO ALLAN KAPROW

quinta-feira, 19 de junho de 2008



Minimal Art

Movimento ou estilo artístico que surgiu nos Estados Unidos da América durante a década de 60, vários artistas começaram a expor em Nova Iorque e Los Angeles trabalhos como uma lâmpada fluorescente aparafusada diagonalmente à parede (The Diagonal of May 25, de Dan Flavin) ou placas de metal deitadas no chão (Aluminum-zin Dipole E/W, de Carl Andre). Estes objectos confundiram os críticos, que não sabiam como descrever e definir estas novas obras de arte. Como reacção à extrema subjectividade e emotividade do expressionismo abstracto dos anos 50. A palavra minimalismo foi pela primeira vez apresentada como um termo de arte em 1937 por John Graham, um artista americano de origem russa, no entanto, foi David Burliuk quem pioneiramente utilizou a palavra minimalismo num artigo datado de 1927, onde escrevia sobre o trabalho de John Graham. Daí que seja difícil precisar quem foi o primeiro a usar o termo, se David Burliuk ou John Graham. Mas foi com o artigo de um filósofo britânico, Richard Wollheim, publicado em 1966 e intitulado “Minimal Art “, que o termo entrou no discurso crítico.
O minimalismo, tal como o construtivismo, privilegia o racionalismo e o pensamento matemático. Rejeita o lirismo, a subjectividade e os interesses sociológicos exteriores, volta-se sobre si mesmo e sobre a sua própria análise. O movimento foi uma reacção à prolongada obsessão americana pela individualidade, que estava esgotada com a constante luta entre as liberdades de cada um e as exigências da sociedade. Na década de 60, quando o país tentava sair do conformismo obediente a que tinha estado sujeito durante a Segunda Grande Guerra, essa obsessão pelo individual tornou-se insustentável. A arte deixa de ser expressão do sujeito, para ser a força através da qual a mente impunha ordem e racionalidade às coisas.
Ao mesmo tempo que surgia o termo minimalismo, surgiam outras etiquetas para classificar o novo estilo, normalmente para dar títulos a exposições, como por exemplo, «ABC Art», « Primary Structures », « Cool Art », « Specific Objects » e « The Art of the Real».
Formalmente, a arte minimal caracteriza-se por uma estrutura muito simplificada, utiliza um método conceptual de composição racionalmente desenvolvido que consiste em disposições simples de unidades idênticas e intermutáveis, com frequência modulares, de inspiração matemática, ou resolvendo permutações geométricas, grelhas ou repetições que podem continuar ou prolongar-se infinitamente. Pelo seu carácter «anti-formal» – simplificação extrema das estruturas e ausência de reflexo pessoal – a arte minimal teve uma influência considerável na arte conceptual, onde a imagem cede lugar a uma representação textual.
Antes mesmo do movimento ser oficialmente reconhecido, já em Nova Iorque se realizavam manifestações minimalistas. A tendência para simplificar formas e linguagem já tinha se tinha revelado no mobiliário desenhado por Shaker, na filosofia pragmática de Charles Sanders Peirce e de William James, na pintura de Charles Sheeler, no realismo «científico» de Thomas Eakins, nas fotografias de Paul Strand e Walker Evans e na poesia de William Carlos Williams e Marianne Moore. Podemos ver também uma antecipação do minimalismo nos anos 50 na austeridade do teatro de Samuel Beckett e no novo romance de Allain Robbe-Grillet. Beckett na sua última fase reforça a simplicidade da forma e do conteúdo, para o dramaturgo as palavras são o principal ingrediente da arte da imperfeição, formando uma barreira impenetrável da linguagem que nos impede de sabermos a verdade e a essência das coisas. Para ele o nada é a realidade suprema. A peça Breath de 1969 é exemplo claro desta fase, dura somente trinta segundos, não tem personagens nem palavras. A negação voluntária do seu conteúdo torna-se verdadeiramente o seu princípio formal. A arte só pode reconciliar-se com a sua própria existência ao virar para o exterior o seu carácter de aparência, revelando o seu vazio interior.
Uma outra forma de expressão criada pelos minimalistas é o happening, uma situação, actuação improvisada, ou que o é aparentemente, projectada de modo a gerar a participação dos espectadores.O termo foi pela primeira vez usado pelo encenador americano, Allen Kaprow, no seu livro Something to Take Place: A Happening. Eram a favor da improvisação, da espontaneidade e do automatismo, mas não um automatismo puro, ditado do pensamento, ausente de qualquer controlo exercido pela razão.
O minimalismo operou mudanças decisivas não só na pintura, com nomes como o de Ad Reinhardt, ou na escultura, com Donald Judd, Robert Morris, Carl Andre e Dan Flavin, mas também na música e na dança. Na música, Philip Glass e Steve Reich compõem música que tem uma estrutura modular, onde a repetição é permanente. Na dança, Lucinda Childs faz coreografias implacavelmente repetitivas compostas num palco vazio, completamente nú.
Uma outra forma de arte minimal, e desta vez anterior à década de 60 é o haikai. O haikai é uma das mais importantes formas da poesia tradicional japonesa, e também a mais curta das composições poéticas; menor que o soneto, que a trova e mesmo que o epigrama grego.
O haikai surgiu no século XVI, mas foi Matsuo Basho no século XVII quem lhe deu maior expressão e divulgação. Caracteriza-se pela sobriedade da palavra, a vaga exposição da ideia, fornecendo, no entanto, ao leitor um vasto mas subtil conjunto de impressões. Os mais variados motivos do dia a dia servem-lhe de tema, e o sentido dos versos é o que está dito nele, nada está oculto.
O movimento da Minimal Art transcende a pintura, apesar de diversos pintores trabalharem próximo dela.
Num sentido estrito, apenas os objectos, esculturas e instalações de cinco artistas se inscrevem na Minimal Art: Carl Andre (1935), Dan Flavin (1933-1996), Donald Judd (1928-1994), Sol LeWitt (1928) e Robert Morris (1931). Contudo, nenhum concordou com o rótulo minimal artist.
Artistas minimalistas
Carl Andre, Donald Judd, Dan Flavin, Sol LeWitt, Ronald Bladen, Robert MorrisO que disse Sol LeWitt (1928): Recentemente tem-se escrito muito sobre a Minimal Art, mas ainda não descobri ninguém que admitisse fazer este tipo de coisas. Por isso concluo que faz parte de uma linguagem secreta que os críticos de arte utilizam quando comunicam uns com os outros através das revistas de arte.

A exposição “Linhas, grelhas, manchas, palavras” reúne uma selecção de desenhos da Colecção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Todos os desenhos apresentados partilham uma composição simples, impessoal e minimalista. A linguagem da arte minimal inclui linhas rectas, utilização de cores primárias e formas geométricas organizadas em colunas, grelhas e/ou sequências repetitivas. Com particular ênfase na escala e na percepção, os artistas minimalistas privilegiam a experiência física do espectador ao contrário de demonstrações de expressão artística. Embora estes critérios sejam relativamente mais simples de utilizar em objectos que vieram a definir a arte minimal, são por vezes mais complexos de identificar no que respeita estudos, esboços e outras obras em papel. Em desenho, o físico e o táctil são antes visíveis sob a forma de pequenas inconsistências, tomando a aparência de erros que suavizam o anonimato das linhas e grelhas.

Com início na década de 1960, quando a linguagem formal da arte minimalista estava estabelecida, a presente exposição pretende traçar a evolução dos aspectos formais (linhas isoladas, grelhas, monocromáticos e texto) e dos aspectos individuais (rasgar, dobrar e rabiscos) da expressão experimental à sua codificação como convenção ou instrumentos disponíveis para apropriação pelas seguintes gerações de artistas.

Algumas obras Minimalistas



terça-feira, 17 de junho de 2008


"Cada peça é diferente, mas profundamente ligada a mim" – Pina Bausch

O trabalho de teatro-dança de Pina Bausch combina tristeza e desespero calado com "a expressão calorosa do amor à vida". A Coreografa explica que "Os temas permanecem os mesmos; o que muda são as cores" Ao narrar, ela se mantém fiel a determinados princípios: ações simultâneas, marcação das diagonais do palco, repetições propositais e suspense dramático por meio de contraposições e progressões.



Análise da
Obra de Gilberto Zorio por Marisa Pereira:










Uma estrela desenhada sobre duas folhas brancas rasgadas


















Arte Povera


Arte Povera

A Arte Povera (arte pobre) foi um movimento artístico italiano que se desenvolveu na segunda metade da década de 60. Os seus adeptos usavam materiais de pintura não convencionais (ex.: terra, madeira e trapos) com o intuito de empobrecer a pintura e eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia-a-dia das pessoas.
As principais figuras desse movimento foram Michelangelo Pistoletto, Jannis Kounellis, Giovanni Anselmo, Giuseppe Penone, Giulio Paolini, Mário Merz, Luciano Fabro e Gilberto Zorio.
Um importante papel foi também desenvolvido pelo crítico Germano Celant, que inventou o termo Arte Povera em 1967 e tentou a todo o tempo arranjar uma nova definição para ele.
Os artistas da Arte Povera tiveram o mérito de desafiar os padrões da arte vigente, ocupando o espaço com o seu transcendental e intemporal nível de realidade.
O uso de matéria viva foi visto de forma ainda mais espectacular na instalação de Kounellis, em que uma arara foi posta em frente a uma tela pintada, demonstrando que a natureza contêm cores ainda mais vívidas que qualquer pintura.
Havia outra preocupação dos artistas, que era em criar uma forma de interacção entre o trabalho e o espectador. Na obra Vietname, de Pistoletto, as imagens estavam coladas a um espelho que reflectia os visitantes da galeria que assim se tornavam também figuras transitórias do quadro.
Embora a Arte Povera tenha sido associada à Arte Conceitual praticada em outros países, os seus artistas realizaram uma produção própria, de inquestionável individualidade. Os seus trabalhos fora largamente expostos na Itália e no restante da Europa, assim como nos Estados Unidos, trazendo significativa contribuição para a arte de vanguarda nas últimas décadas do Século XX, apesar do ressurgimento da pintura figurativa nos anos 80.


Gilberto Zorio






Gilberto Zorio é um artista italiano, nasceu em 1944, em Andorno Micca, Itália. Entre 1963 e 1970, estudou na Academia de Belas-Artes de Turim, onde conheceu os artistas Michelangelo Pistoletto e Giuseppe Penone. Em 1967, realizou na cidade de Turim a sua primeira exposição individual e associou-se aos artistas conterrâneos que integraram o movimento da Arte Povera. As obras deste período anunciam já algumas opções que caracterizarão toda a sua obra futura, como a diversidade dos materiais (cimento, eternite, gesso, água salgada) e dos processos utilizados para criação de fenómenos físicos ou químicos que resultam da interacção dos materiais entre si ou da sua relação com os espaços envolventes.
Em 1969, realizou a sua primeira exposição no estrangeiro e produziu uma série de trabalhos, como a peça Per Purificare la Parole, em que usa elementos escritos, colocados sobre as paredes.
O artista utilizou, de forma cada vez mais frequente, materiais modernos e da alta-tecnologia (como a luz fluorescente) que são dotados de sentidos metafísicos e quase sagrados e se associam a inscrições literárias.
Na década de 80, torna-se mais evidente a procura duma síntese entre produtos naturais e produtos culturais através da mistura de materiais orgânicos com restos de máquinas. Neste período, Gilberto Zorio criou a peça "Canoa de Modena" (1995), a partir de um fragmento de uma canoa e de partes de objectos industriais.






Arquitectura desconstrutivista também chamada movimento desconstrutivista ou simplesmente desconstrutivismo ou desconstrução, é uma linha de produção arquitectónica pós-moderna que começou no fim dos anos 80. Ela é caracterizada pela fragmentação, pelo processo de desenho não linear, por um interesse pela manipulação das ideias da superfície das estruturas ou da aparência, pelas formas não-retilíneas que servem para distorcer e deslocar alguns dos princípios elementares da arquitectura, como a estrutura e o envoltório (paredes, piso, cobertura e aberturas) do edifício. A aparência visual final dos edifícios da escola desconstrutivista caracteriza-se por um caos controlado e por uma estimulante imprevisibilidade. Tem base no movimento literário chamado desconstrução. O nome também deriva do construtivismo russo que existiu durante a década de 1920 de onde retoma alguma de sua inspiração formal.
Entre alguns dos importantes eventos históricos do movimento desconstrutivista estão o concurso internacional
parisiense do Parc de la Villette (especialmente as participações de Jacques Derrida, Peter Eisenman e o primeiro colocado, Bernard Tschumi), a exposição de 1988 do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque Deconstructivist Architecture, organizada por Philip Johnson e Mark Wigley, e a inauguração em 1989 do Wexner Center for the Arts em Columbus, Ohio, projectado por Peter Eisenman. Na exposição de Nova Iorque foram exibidas obras de Frank Gehry, Daniel Libeskind, Rem Koolhaas, Peter Eisenman, Zaha Hadid, Bernard Tschumi e da Coop Himmelb au. Desde a exibição, muitos dos arquitectos que estiveram associados ao desconstrutivismo distanciaram-se desse termo. No entanto, o termo "desconstrutivismo" perdurou, e seu uso actual, de fato, abarca uma tendência geral dentro da arquitectura contemporânea.
Inicialmente, alguns dos arquitectos conhecidos como desconstrutivistas foram influenciados pelas ideias do filósofo
francês Jacques Derrida. Eisenman manteve um relacionamento pessoal com Derrida, mas mesmo assim sua abordagem ao projecto arquitectónico se desenvolveu muito antes de tornar-se um desconstrutivista. Para ele, o desconstrutivismo deve ser considerado uma extensão do seu interesse pelo formalismo radical. Alguns seguidores da corrente desconstrutivista foram também influenciados pelas experimentações formais e desequilíbrios geométricos do construtivismo russo. Há referências adicionais no desconstrutivismo a vários movimentos do século XX: a interacção modernismo/pós-modernismo, o expressionismo, o cubismo, o minimalismo e a arte contemporânea. A intenção do desconstrutivismo como um todo é libertar a arquitectura do que seus seguidores vêem como as "regras" constritivas do modernismo, tais como a "forma segue a função", "pureza da forma" e a "verdade dos materiais".


Biblioteca Central de Seattle, por Rem Koolhaas e seu Escritório para Arquitectura Metropolitana (OMA).
Na
arquitectura contemporânea, o desconstrutivismo situa-se em oposição à racionalidade ordenada do modernismo. Sua relação com o pós-modernismo também é resolutamente oposta. Embora arquitectos pós-modernistas e desconstrutivistas emergentes tenham publicado suas teorias lado a lado no periódico Oppositions (Oposições), publicado entre 1973 e 1984, o conteúdo dessa revista marcaria o início de uma ruptura decisiva entre os dois movimentos. A desconstrução assumiu uma postura de confrontação frente à arquitectura e à história arquitectónica, querendo separar e desmontar a arquitectura. Ainda que o pós-modernismo tenha retornado a abraçar — geralmente às escondidas ou ironicamente — as referências históricas que o modernismo temia, o desconstrutivismo rejeita a aceitação pós-moderna dessas referências. Também rejeita a ideia de ornamento como uma reflexão a posteriori ou decoração. Esses princípios têm como consequência o alinhamento do desconstrutivismo com as susceptibilidades do anti-historicismo modernista.
Além do Oppositions, outro texto que separava o desconstrutivismo da rixa entre modernismo e pós-modernismo foi a publicação de Complexity and Contradiction in Architecture ("Complexidade e Contradição em Arquitectura") por
Robert Venturi, em 1966. Um ponto de definição tanto para o pós-modernismo quanto para o desconstrutivismo, Complexity and Contradiction argumenta contra a pureza, clareza e simplicidade do modernismo. Com essa publicação, o funcionalismo e o racionalismo, os dois principais ramos do modernismo, foram derrubados como paradigmas de acordo com as leituras pós-modernistas e desconstrutivistas, com interpretações diferentes. A interpretação pós-moderna de Venturi (o qual foi ele próprio um pós-modernista) é a de que o ornamento e a alusão histórica acrescentam uma riqueza à arquitectura a qual o modernismo havia renunciado. Alguns arquitectos pós-modernos procuraram reutilizar decorações mesmo em construções económicas e mínimas, um esforço melhor ilustrado pelo conceito de "galpão decorado" de Venturi. O racionalismo do design foi rejeitado, mas o funcionalismo da construção continuava ainda um tanto intacto. Trata-se de algo próximo à tese do que seria o próximo grande trabalho de Venturi, em que os signos e ornamentos podem ser aplicados a uma arquitectura pragmática, instilando as complexidades filosóficas da semiótica.


Vitra Design Museum, por Frank Gehry, em Weil am Rhein, Alemanha.
A leitura desconstrutivista de Complexity and Contradiction é bastante diferente. A construção básica foi o objecto das problemáticas e complexidades no desconstrutivismo, sem desprender-se do ornamento. Em vez de separar ornamento e função, assim como os pós-modernistas como Venturi, os aspectos funcionais das construções foram postos em causa. A
geometria era para os desconstrutivistas o mesmo que o ornamento para os pós-modernistas, o objecto de complicação, e esta complicação da geometria foi, por sua vez, aplicada aos aspectos funcional, estrutural e espacial das construções desconstrutivistas. Um exemplo de complexidade desconstrutivista é o Museu de Design Vitra, de Frank Gehry, em Weil am Rhein, que apropria-se do típico cubo branco sem adornos das galerias de arte modernistas e o desconstrói, utilizando-se de geometrias reminiscentes do cubismo e expressionismo abstracto. Isso subverte os aspectos funcionais da simplicidade modernista tendo simultaneamente o modernismo, particularmente o estilo internacional, de que sua superfície de reboco branco lembra, como um ponto de partida. Outro exemplo de interpretação desconstrutivista de Complexity and Contradiction é o Centro de Artes de Wexner, de Peter Eisenman. O Centro de Artes apropria-se da forma arquetípica do castelo, que, em seguida, imbui-se de complexidade em uma série de cortes e fragmentações. Uma grade tridimensional estende-se arbitrariamente até certo grau. A grade, como uma referência ao modernismo, da qual é um acessório, colide com a antiguidade medieval de um castelo. Algumas das colunas da grade intencionalmente não alcançam o solo, pairando por sobre escadarias, criando um sentimento de desconforto neurótico e contradizendo o propósito estrutural da coluna. O Centro de Artes Wexner desconstrói o arquétipo do castelo e submete sua estrutura e espaços a conflitos e diferenças.
[editar] Filosofia desconstrutivista

Arte de instalações por Peter Eisenman no jardim interno do Museu Cívico de Castelvecchio em Verona, intitulado: "Il giardino dei passi perduti," ("O jardim dos passos perdidos").
O principal canal da
filosofia desconstrutivista à teoria arquitectónica ocorreu através da influência do filósofo Jacques Derrida sobre Peter Eisenman. Eisenman traçou algumas bases filosóficas do movimento literário da Desconstrução e colaborou diretamente com Derrida em alguns projectos, como a participação no concurso do Parc de la Villette, documentado em Chora l Works. Tanto Derrida e Eisenman como Daniel Libeskind estavam preocupados com a "metafísica da presença" e este é o principal tema da filosofia desconstrutivista na teoria arquitectónica. O pressuposto é que a arquitectura é uma linguagem capaz de comunicar um sentido e de ser tratada por métodos da filosofia linguística.[6][7] A dialéctica da presença e da ausência, ou do sólido e do vazio, aparece em muitos projectos de Eisenman, tanto nos construídos como nos não-construídos. Tanto Derrida quanto Eisenman acreditam que o locus, ou o lugar da presença, é arquitectura, e a mesma dialéctica da presença e da ausência é encontrada na construção e na desconstrução.
De acordo com Derrida, a leitura de textos é melhor realizada quando se está lidando com estruturas narrativas clássicas. Qualquer desconstrução arquitectónica requer a existência de um arquétipo de construção particular, uma expectativa convencional fortemente estabelecida sobre a que jogar contra a flexibilidade das normas.
[8] O projecto de Frank Gehry de sua residência em Santa Mónica (de 1978), foi citado como o protótipo de uma construção desconstrutivista. Seu ponto inicial foi uma casa suburbana. Gehry alterou sua massa, vedações e planos em uma lúdica subversão, um ato de "des"construção.[9] Além da concepção de Derrida sobre a metafísica da presença e da desconstrução, suas noções de rastro e apagamento, incorporadas a sua filosofia da escrita e arqui-escrita encontrou seu caminho nos memoriais desconstrutivistas. Daniel Libeskind concebeu muitos de seus primeiros projectos como uma forma de escrita ou tratado sobre a escrita e muitas vezes trabalhos com forma de poesia concreta. Realizou esculturas arquitectónicas com livros e também cobriu os modelos com textos, referindo abertamente sua arquitectura à escrita. As noções de rastro e apagamento foram postas em prática por Libeskind em seu projecto do Museu Judaico de Berlim. O museu é concebido como um rastro do apagamento do Holocausto, pretendendo tornar seu tema legível e comovente. Memoriais como o Monumento aos Veteranos do Vietnãm de Maya Lin e o Memorial aos Judeus Mortos da Europa de Peter Eisenman também reflectem temas de rastro e apagamento.